Caixa de Pandora ?!
QUANDO O INTERESSE PELO NEGATIVO ULTRAPASSA OS LIMITES,
É HORA DE PARAR E REFLETIR...
O MITO.
Segundo nos conta a mitologia grega, ao conferir uma centelha de fogo dos céus para que os mortais pudessem dominar a natureza, o titã Epimeteu fora castigado por Zeus. O Rei de todos os Deuses se enfureceu ao descobrir o ocorrido e decidiu entregá-lo para os abutres, que o devorariam por toda a eternidade graças a sua regeneração diária fruto da imortalidade. No entanto, a atitude do titã não apenas o prejudicou como também aos humanos, já que o Senhor do Olimpo não se contentou com apenas uma punição. Enfurecido com o capricho de Epimeteu, resolveu que deveria repreender também os mortais. Criou uma criatura devastadora, extremamente apelativa aos homens, ser este que culminaria a desgraça do mundo, a mulher.
Linda, misteriosa e sedutora, Pandora, como se chamava, fora agraciada com um pouco dos dons de cada Deus do Olimpo (daí o significado de seu nome: ”a que possui todos os dons”) assim como uma caixa a qual estava permanentemente impedida de abrir. Entretanto ao invés de alerta, a proibição serviu como estímulo para a curiosidade da jovem mulher, levando-a além das restrições recebidas. Tentada pela ânsia de descobrir o que havia dentro do objeto, Pandora se deixou levar por suas fraquezas: abriu a caixa. Para sua desgraça e de todo o mundo.
Graças ao “pequeno” deslize, sentimentos terríveis escaparam da caixa, desgraçando a humanidade com forças capazes de destruir e corromper o homem como a inveja, ódio, tristeza, rancor, a única exceção fora a esperança, afinal por trás de um mal sempre surge um bem.
A REALIDADE.
A “simples” metáfora grega retrata que desde os primórdios já se compreendia a tentação gerada pela curiosidade humana. “Faca de dois gumes”, fonte de perdição. Eles compreendiam que era necessário alertar o povo
sobre suas conseqüências quando usada de modo leviano e ensiná-los o quanto ela é apelativa. E embora o esforço grego tenha sido valido, a contemporaneidade vem confirmando que a tentativa não foi tão bem sucedida quanto deveria.
Diariamente os meios de comunicação trazem ao público informações sobre os fatos que os cerca, no entanto a maioria dessas notícias são conteúdos trágicos, chocantes, desastrosos, deprimentes. Que o mundo está mais violento, isso é notoriamente perceptível! Que o jornalismo deve mostrar a realidade, não deve esconder os fatos, isso é totalmente obvio! Contudo, o exagero dessas informações não deveria ser, eles nem ao menos “poderiam se dar ao luxo” de existir!
O público culpa a imprensa, tarja o jornalismo como pessimista, meio de informação negativo que “só mostra coisas ruins”. Entretanto, a imprensa priorizaria essas notícias à toa?! Com certeza, não! Elas apenas são transmitidas porque na verdade há ibope, há receptividade. O público é curioso e sua curiosidade é, infelizmente, em grande parte utilizada para a busca desse tipo de conteúdo.
Crimes, seqüestros, latrocínios, homicídios… “Prato cheio” para a imprensa; “sobremesa” tentadora para a população!
MITO OU REALIDADE?
A verdade é que à medida que os meios de comunicação se expandem, tais assuntos também se tornam cada vez mais vastos, assim como o seu consumo. O mito de Pandora se materializa em nossa frente, percebemos e não queremos evitar, enxergamos, mas queremos ignorar, ou melhor, tentamos. É a vida que se transforma em show, a curiosidade humana que contribui para a destruição do mundo, para a propagação da violência. Temos novas caixas em nossas mãos diariamente, cabe a nós escolhermos se iremos fechar os olhos para abri-las ou não. Pense nisso...
Pense nisso...
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