Um pedido ao tempo


As vezes o tempo me sufoca. O modo como trabalha me gera náuseas, me atormenta, me angustia. É flexível, incerto e desordenado demais para que meus simples e frágeis nervos mortais possam suportar.
Quando decide relaxar demais, se prolongar em excesso, sinto-me enclausurada na sua vontade maluca, de mãos e pés atados sem opção de fuga. Sou refém total da lentidão temporal dita por tantos como sábia. A morosidade do tempo me atormenta e instiga a ansiedade aflorada da minha personalidade sentimental. E isso, é extremamente doloroso.
A rapidez do tempo a mim também é desvantajosa. Quando resolve apressar o ritmo, deixar de lado a preguiça genial e por em dia o trabalho perdido, deixa-me aturdida e despreparada para a quantidade de acontecimentos simultâneos que sua velocidade provoca. Falta-me tato para lidar com a rapidez do tempo.
Queria eu poder moldar o tempo. Queria eu poder comandá-lo, ordenar suas ações, torná-lo mais gentil, moderado...
Ah, tempo! Porque és tão inconstante?! Não vês que sua indecisão entre rapidez e monotonia me arrastaram para uma crise nervosa contínua?! Oh, tempo, queira ao menos ser gentil! Daí-me chance se quer de desfrutar com prazer e intensidade os momentos agradáveis e afasta de uma vez, em um piscar de olhos, os meus minutos ruins. Quero uma trégua das tuas lições. Meu coração sente falta tua falta, ele clama por ti a cada hora do dia. Deis a ele a tua melhor paciência, lentidão, clamaria. Deixe essa tua velocidade louca para o cotidiano. Esse sim já teve monotonia demais. És chegada a hora de inovar. Inove a seu modo, mas inove. Preciso disso. Preciso que tu, tempo, ao meu modo, resolva as pendências mais urgentes do meu ser.

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